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COMISSÃO DE SANEAMENTO DA ALERJ ENTREVISTA DIRETOR DA CEDAE

30/03/2017

Por Cayo Pereira

A Comissão de Saneamento Ambiental da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) recebeu o diretor de engenharia da Cedae, Humberto de Mello Filho, para uma oitiva a respeito da universalização dos sistemas de abastecimento de água e coleta de esgoto. O funcionário de carreira da empresa teve a oportunidade de defender a competência da Cedae e esclarecer os deputados sobre as obras em execução, principalmente o projeto do Guandu II, o qual irá produzir 12 mil litros de água por segundo e resolver o problema de abastecimento da Baixada Fluminense.

A comissão, que é presidida pelo deputado Nivaldo Mulim (que votou a favor da venda da companhia), teve como membros presentes Dr. Julianelli e Lucinha, além dos convidados Carlos Osório e Enfermeira Rejane – estes quatro são contrários à privatização. Segundo Nivaldo, o objetivo da comissão é compreender melhor os serviços prestados pela Cedae e o processo de privatização da empresa. “Vamos entender melhor qual a ação do governo federal com o governo estadual em relação à Cedae. De que forma vão se beneficiar as periferias, porque hoje você tem água de qualidade no centro da cidade (Rio de Janeiro), mas nas periferias está muito deficiente”.

Perguntado pela reportagem do STIPDAENIT se a privatização poderia ser barrada,  o deputado desconversou, mas deixou em aberto a possibilidade de a empresa não ser vendida. “O processo está em andamento, é um processo lento, que pode vir até a não se concretizar. A Alerj pode influenciar através de audiências, para se chegar a uma conclusão e de repente permanecer como está, pois dentro da política tudo muda”.

Durante a oitiva, Humberto recebeu uma série de questionamentos dos deputados, como obras da Cedae, empréstimos contraídos e valor de mercado da empresa. Ele informou que o balanço financeiro de 2016, publicado na semana passada, aponta R$ 10 bilhões, mas que terá de ser contratada uma empresa específica para fazer a avaliação. A deputada Lucinha aproveitou para criticar ainda mais a aprovação da lei que autoriza a venda da estatal. “Esse é um tipo de informação que não tínhamos aqui quando foi aprovada a venda da Cedae, que foi um verdadeiro cheque em branco”.

Humberto considerou financeiramente inviável a privatização da Cedae, pois a empresa tem dois empréstimos contraídos em seu nome, os quais teriam de ser arcados por quem comprasse a empresa: R$ 3,3 bilhões contraídos junto à Caixa Econômica para as obras do Guandu II e R$ 140 milhões para a renovação das redes de água da Região Metropolitana. Já foram trocados 470 km de redes com os recursos do BNDES. A obra do Guandu II foi dividida em três fases: a primeira já está em andamento, a segunda, que é a construção em si, teve seu projeto executivo enviado para o Tribunal de Contas (espera-se que a aprovação leve 9 meses) e a terceira fase se encontra praticamente toda projetada. Segundo o engenheiro, a partir da aprovação do projeto executivo, seriam mais 4 anos para a conclusão do Guandu II.

Ele também destacou que a empresa fez um grande trabalho durante a recente crise hídrica, pois não houve crise de abastecimento de água no estado. “Tivemos crise hídrica, mas não de abastecimento. Durante dois anos trabalhamos na manobra do sistema e tomamos várias ações que impediram a crise de abastecimento. São Paulo teve, Minas Gerais teve, mas o Rio, não”.

Diante dos argumentos expostos por Humberto, o deputado Carlos Osório mostrou preocupação com as 9 obras da empresa que se encontram paralisadas devido à crise do estado (essas não são realizadas com recursos próprios da Cedae, mas sim através de repasses do governo estadual) e a transferência de patrimônio, pois na visão do parlamentar, o grupo privado que assumisse a Cedae dificilmente teria interesse em dar andamento aos projetos e o estado perderia uma grande estrutura por um valor baixo. O deputado Dr. Julianelli fez coro com Osório. “Não acredito que ela (a privatização) venha para beneficiar a população fluminense. Ela vem para beneficiar grupos empresariais, provavelmente ligados à Águas do Brasil, que representa empresas envolvidas nessa vergonha nacional de corrupção. Está em curso a destruição de uma companhia que atua no viés ambiental, na questão da saúde pública, porque sem saneamento temos a proliferação de doenças”, disse Dr. Julianelli.

O subsídio cruzado praticado pela Cedae, outra preocupação dos deputados contrários à privatização, teve sua dimensão esclarecida pelo representante da Cedae: dos 64 municípios atendidos pela companhia, apenas 4 são lucrativos, sendo a cidade do Rio de Janeiro responsável por 85% da arrecadação. “Com a privatização, os outros municípios não terão como se sustentar sozinhos”, ressaltou Humberto Mello.

Ao encerrar a oitiva, o presidente da comissão Nivaldo Mulim informou que irá marcar uma nova audiência para obter mais informações da Cedae.

 

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