Bem-vindo ao STIPDAENIT   •   Fundado em 1985   •  
 
 
 
 

Notícias

LIDERANÇA NA GUERRA DA ÁGUA DA BOLÍVIA, ÓSCAR OLIVERA PARTICIPA DE DEBATE NO RJ

23/03/2017

A Camara Municipal do Rio de Janeiro realizou na noite dssa quarta-feira, dia 22 (Dia Mundial da Água), o debate A Guerra da Água no Rio. O evento, organizado pelo mandato do vereador Renato Cinco, teve a presença da professora Flavia Braga (UFRRJ), o militante cedaeano e delegado sindical do STIPDAENIT Ary Girota e a liderança boliviana Óscar Olivera, o convidado principal da noite, que relatou ao público presente como foi a luta contra a privatização da água na cidade de Cochabamba, terceira maior cidade da Bolíva, no ano 2000.

Ao abrir o evento, Renato Cinco agradeceu a presença do público e dos palestrantes e lembrou da importância da luta contra a privatização da água por ser este um recurso essencial para a vida de todas as pessoas.

Veja fotos em nossa página no Facebook

Vestindo camisa contra a privatização da Cedae, Ary Girota destacou que a Cedae derrubou o clássico argumento neoliberal de que o serviço público é ruim e, por isso, vender a Cedae é simbólico. Ele também lembrou a necessidade de controle social do serviço de saneamento para evitar que se repita o que acontece em Paraty, onde a tarifa de água triplicou de preço após a privatização do serviço, e não seja encerrada a prática do subsídio cruzado, que é fundamental para levar saneamento de qualidade às cidades mais pobres do Rio de Janeiro. “A CEDAE hoje é a única empresa do Estado do Rio que gera lucro. Então, se conseguem privatizar uma empresa que dá lucro, eles conseguem privatizar as outras empresas. É o Rio mais uma vez sendo usado de laboratório para a implantação do modelo neoliberal".  

As contradições dos parlamentares que votaram pela venda da Cedae também foram observadas por Ary. “Nenhum deles foi eleito dizendo que iria vender a empresa”.  

Flávia Braga, professora de Sociologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), destacou a importância do reflorestamento para a conservação das fontes de água. “Sem florestas, não tem água”. Flávia também criticou a responsabilização midiática que é atribuída aos indivíduos e não à coletividade. “Toda campanha de conscientização do consumo de água pede para a gente diminuir o consumo, mas não se discute a atuação da coletividade, das empresas”.

Óscar Olivera, por sua vez, descreveu com riqueza de detalhes todo o processo de luta contra a privatização da água em Cochabamba, entre o final de 1999 e o início do ano 2000. “A privatização ocorreu da mesma forma que no Rio de Janeiro, com uma assembleia votando a lei afastada do povo, cercada pela polícia. Os contratos firmados tinham cláusulas de confidencialidade, o que dificultou nosso acesso a todas as informações. Então, quando conseguimos ter a lei e os contratos, fomos discutir com os parlamentares como eles podiam ter aprovado aquilo. Até para captar água da chuva teríamos que pedir autorização para a empresa privada”, lembrou Olivera. “Essa informação foi vital para a população porque, por trás de uma empresa de nome bonito (Águas de Tunari), havia uma empresa norte-americana, uma italiana e uma espanhola se apropriando de toda a nossa água”.

Assim como nas cidades privatizadas no Brasil, as faturas de água em Cochabamba rapidamente subiram de preço, chegando a uma média de US$ 30 (trinta dólares) por mês. “Isso correspondia a 20% do salário médio de uma família e, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o recomendado era cada família pagar apenas 2% pelo consumo de água”.

Óscar destacou que a informação foi um ponto fundamental para a organização da luta popular. As universidades resumiram a lei da privatização em cinco pontos principais, o que facilitou a disseminação das informações pelos meios de comunicação e entre o povo. O resultado foi o calote coletivo nas faturas de água durante cinco meses, as quais foram queimadas pelos cidadãos. “Era uma alegria ver como as faturas queimavam, junto com as esperanças da transancional”.

A luta envolveu toda a população, desde crianças a idosos. Infelizmente, a violência policial e do exército resultou em mortes de alguns participantes, mas o povo não recuou. “No final, o exército teve que voltar aos quarteis e os políticos desapareceram de Cochabamba. Por oito dias, nos sentimos soberanos porque era o povo quem decidia sobre tudo na cidade”, disse Olivera arrancando aplausos.

Olivera encerrou sua apresentação mandando um recado à população do Rio de Janeiro e os trabalhadores da Cedae. “O povo brasileiro tem que conhecer o que se passa com a Cedae. Essa informação tem que conectar em todo o mundo. Só o poder coletivo das pessoas vai mudar as coisas nesse mundo. Quem tem o controle da água, tem o poder”.

Após a apresentação dos palestrantes, a militante cedaeana Mariana, funcionária da Cedae há seis anos na cidade do Rio de Janeiro, foi homenageada pelo vereador Renato Cinco, que lhe entregou uma moção. “A privatização da Cedae foi feita sem o povo opinar e a gente entende que o povo tem que ser ouvido, tem que ser realizado o plebiscito popular sobre a privatização”, defendeu Mariana. 

 

•  Veja outras notícias
 
 
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Niterói
Rua São João, 392 - Centro - CEP 24020-040 - Niterói / RJ
Fone : (21) 2719-6240   /   E-mail: contato@stipdaenit.org.br