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CONHEÇA UMA ALTERNATIVA QUE SUBSTITUI A CONSTRUÇÃO DA BARRAGEM DO RIO GUAPIAÇU

12/03/2015

Cayo Fernandes

A polêmica barragem que o governo estadual quer construir em Cachoeiras de Macacu desalojaria 3 mil pessoas e afetaria 5 mil hectares de terras agricultáveis e Mata Atlântica, a um custo de aproximadamente R$ 750 milhões, levou os produtores locais a se mobilizarem para impedir sua construção. O governo alega que a obra é importante para a contenção da crise hídrica, pois fortaleceria o abastecimento de municípios como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, que tem como principal fonte de abastecimento atualmente o Rio Imunana. Por sua vez, os produtores alegam que não tem para onde ir e que os benefícios frente aos impactos sociais, econômicos e ambientais da barragem não compensam sua construção. O município produziu em 2013  19, 9 mil toneladas de alimentos como aipim, milho verde, batata doce, goiaba, jiló, quiabo e maracujá, além de leite, peixes e carnes, que renderam 21,7 milhões de reais.

Um estudo preliminar apontando alternativas para a construção de barragens na região foi elaborado no começo de 2014 e então entregue à Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), a qual não deu a devida importância às propostas. Desenvolvido pelo Subcomitê Leste do Comitê de Bacias Hidrográficas da Baía de Guanabara (CBH-BG), representado pelo coordenador Roberto Machado e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Cachoeira de Macacu (SEMA), o estudo localizou áreas em que três barragens menores poderiam ser construídas a um custo menor para o Estado, menor número de desapropriações e maior capacidade de reservamento de água. O mesmo estudo foi encaminhado para a atual gestão da SEA, de André Corrêa, nomeado para o cargo de secretário de Estado do Ambiente no começo do ano.

Agora, será criado pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERHI-RJ) um Grupo de Trabalho para a discussão de propostas e o aprofundamento de estudos, inclusive os elaborados pelo subcomitê da CBH-BG e a SEMA. O Grupo de Trabalho terá entre seus principais integrantes CEDAE, Sindicato Rural de Cachoeiras de Macacu, subcomitê do CBH-BG, SEMA (Cachoeiras de Macacu), SEA (Estado) e o Instituto Estadual do Ambiente (INEA).

"O que estamos propondo é que o Estado estude essas alternativas em conjunto com a prefeitura e o sindicato", afirma Roberto Machado, coordenador do Subcomitê Leste do CBH-BG.

Engenheiro civil com experiência na construção das barragens de Itumbiara (GO), São Simão (MT/MG) e Balbina (AM), Roberto Machado visitou com os técnicos da SEMA a região onde o governo estadual quer construir a barragem. O estudo empírico constatou falhas na ideia do governo estadual.

"Querem (o governo estadual) cercar uma área completamente aberta, com diques de terra e sem uma base rochosa. Assim, seriam colocados em cima do terreno de aluvião, o que pode propiciar vazamentos", afirma Roberto. Para ilustrar melhor a situação, ele comparou a um muro construído em cima de areia, o que não permitiria muita firmeza e facilitaria vazamentos por baixo.

Em compensação, foram localizados espaços para a construção de outras três represas, as quais inundariam 620 hectares (contra 2.500 ha do projeto do governo), teriam somadas uma capacidade de acumulação de 110 milhões de metros cúbicos (m³) de água (30 milhões a mais que a barragem proposta pelo governo), a um custo estimado de R$ 450 milhões - 40% inferior ao projeto do governo. Além disso, produziriam uma água de qualidade superior.

"As áreas alternativas a montante (próximas à nascente do rio) estão em uma área de reserva ambienta com três picos. Ou seja, com proteção de Mata Atlântica e cercadas, onde a barragem pode ser de concreto pequeno e só uma teria dois diques pequenos com menos de 100 metros só para elevação de nível das bagagens. Além disso, a qualidade da água seria superior, pois ela desce de uma área reservada de montanha, passando por terrenos pedregosos e carregando pouca sedimentação e sem contaminação nenhuma urbana, pois são áreas desabitadas. O Guapiaçu jusante (bem mais afastado da nascente do rio), que é a proposta do governo, passa por outras comunidades que jogam esgoto in natura e esse esgoto seria direcionado para a barragem que o governo propõe construir" ele explica. 

Roberto argumenta, ainda, que pelo fato de a incidência pluviométrica da região ser bastante elevada - chovem 2.000 mm por ano - não há necessidade de reservação para longos períodos. Portanto, a  capacidade de 100 milhões m³ seria suficiente para atender os objetivos do governo de distribuir água para outros municípios e ainda abastecer a população local.

Alternativa que concilie os interesses do governo do estado e dos produtores rurais existe. Agora, resta o secretário de estado do ambiente André Corrêa realmente incentivar o diálogo e ser transparente - ao contrário da audiência de sexta-feira 6, quando evitou responder as perguntas do público presente. 

 

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