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TRANSPARÊNCIA DE ANDRÉ CORRÊA COM PRODUTORES RURAIS FICA APENAS NO DISCURSO

11/03/2015

Serra Queimada é uma região do município de Cachoeira de Macacu onde residem centenas de famílias de produtores rurais. Há anos, eles sofrem com a ameaça de um projeto do governo do Estado - o Projeto Macuco - de construir uma represa na região para fortalecer o abastecimento de água de outros municípios do Rio de Janeiro, como Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. O governo de Sérgio Cabral tentou atropelar a lei e decretou a desapropriação da área em abril de 2013, oferecendo aos produtores 5 mil reais por hectare - na média, cada família receberia a irrisória quantia de 15 mil reais, considerando que os terrenos tem em média 3 hectares. No entanto, com a mobilização dos produtores apoiados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a atuação de Ministério Público Federal (MPF) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), o decreto foi revogado e o licenciamento está sendo refeito.

Na sexta-feira 6, estava marcada em Serra Queimada uma audiência do secretário de Estado do Ambiente André Corrêa com os produtores rurais. O evento, organizado pelo MAB, servira para o secretário esclarecer dúvidas dos agricultores e dar uma posição do governo. Eleito em 2014 para seu sexto mandato de deputado estadual - com 3 mil votos de Cachoeira de Macacu - André Corrêa era o líder do governo na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) até assumir o cargo na Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) no começo deste ano, substituindo Índio da Costa.  

Eram 13h30 quando André Corrêa assumiu o microfone, sendo o último a falar no evento. Cumprimentou todos os presentes e prontamente admitiu que o governo falhou ao não ouvir os trabalhadores e apressar o licenciamento da barragem. "Tenho que admitir a culpa do governo do estado na condução desse processo. Ele precisa de mais debate. Nós temos que fazer isso juntos", afirmou. Garantiu que irá incentivar o reflorestamento da região e tomará maior conhecimento do Programa Produtor de Água, da Agência Nacional de Águas (ANA), dentro do qual os proprietários de terras que preservarem a vegetação de rios dentro de suas propriedades recebem uma compensação financeira. "Fiz questão de sobrevoar toda a bacia e constatei que ela está pelada. Isso foi porque a gente não tinha a consciência que temos hoje", reconhecendo mais uma vez a necessidade de maior intervenção do poder público junto à população do município.

O secretário também garantiu que vai ouvir as sugestões encaminhadas pelos moradores como alternativas à construção da represa projetos de recuperação ambiental. Afirmando - mais uma vez - que será transparente, foi enfático: "não vou gastar um centavo do orçamento que eu tenho em cimento enquanto não tiver equacionado a situação das pessoas que moram aqui".

André Corrêa falou uma coisa que os produtores rurais gostariam de ouvir: o poder público, dessa vez, irá lhes dar a devida atenção. Não à toa, foi aplaudido por alguns presente durante seu discurso de aproximadamente 20 minutos. Tentou se mostrar receptivo, com uma pitada de ironia, até quando o MAB resolveu interromper sua fala para tocar uma música do movimento. "Vocês querem tocar? Então, venham aqui na frente e depois eu começo a falar", disse visivelmente contrariado. Os manifestantes, então, aproveitaram a deixa e foram à frente do palco, pedindo que todos se levantassem e cantasse em coro: "se o MAB vai para a luta eu vou também. Barragem não sei para quem". Foram atendidos pelo público e arrancaram fortes aplausos.

Ao encerrar sua fala prometendo - pela enésima vez - diálogo e transparência, tentou ir embora sem responder as perguntas do público. Teve que ser contido por Rosilene Brives, da coordenação do MAB, que lhe lembrou das perguntas a serem respondidas. Foi quando ocorreu uma cena curiosa: o secretário voltou e pediu que ela lhe encaminhasse todas as perguntas do público, mas respondeu apenas uma pergunta e de forma muito vaga, alegando que não se tratava do assunto discutido naquele dia - era sobre uma obra do governo em Seropédica.  Ao se por novamente em retirada,o público que antes o aplaudira ficou revoltado e começou a vaiá-lo e pressioná-lo a dar mais esclarecimentos. Alegando outros compromissos da Secretaria de Estado de Ambiente, André Corrêa foi embora e levou todas as perguntas do público consigo. Será que vai respondê-las e provar sua transparência e diálogo? 

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