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SERÁ A ÁGUA DE REUSO UM ALTERNATIVA PARA O CONSUMO HUMANO?

27/02/2015

Em meados de novembro, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin tornou pública a intenção de transformar esgoto em água tratada para o consumo humano. Esse água, conhecida como água de reuso, até o momento é utilizada apenas em atividades como limpeza de ruas e avenidas e para fins industriais, como o governo do Rio de Janeiro quer fazer com as indústrias que captam água do Rio. A iniciativa, claro, teve ampla rejeição dos paulistas e criou uma polêmica. É natural o receio da população, pois em um país acostumado a oferta farta de água, nunca houve uma discussão aprofundada sobre a possibilidade de utilizar água de reuso para beber, cozinhar e mesmo plantar alimentos

Mas, afinal, existe ou não risco no consumo de água reciclada do esgoto? O bilionário Bill Gates apimentou o debate ao apresentar seu Omniprocesor, uma máquina capaz de transformar fezes e urina em água potável. Esse procedimento já é comum em alguns países, como Israel, campeão mundial em reutilização de água. Tendo poucos mananciais de água potável disponíveis, o país reutiliza 75% de seu esgoto. Trata-se de uma política nacional desde 1955, pois com o aumento da população não havia água suficiente para a irrigação. Atualmente, metade da água proveniente para essa atividade é de reuso.

Em países como Austrália, Espanha, Estados Unidos, Japão e Inglaterra também há reutilização de água. Os espanhóis utilizam 14% dos efluentes gerados por esgoto, sendo os segundos maiores utilizadores no planeta, seguidos pela Austrália, que utiliza 9%.

Se tantos países desenvolvidos incorporaram a água de reuso a seus recursos hídricos é porque a técnica funciona. No entanto, especialistas alertam que seu tratamento deve ser minucioso.  "Tem como filtrar, mas é bastante caro e é praticamente impossível tirar tudo", afirma a professora do Instituto de Química da Unicamp, Gisela Umbuzeiro. A preocupação não está na concentração de coliformes fecais, que seriam retirados facilmente, o perigo está na retirada de químicos – como o hormônio presente em pílulas anticoncepcionais, além de componentes de medicamentos e antibióticos cujo processo de filtragem não seria capaz de eliminar. José Carlos Mierzwa, engenheiro e diretor técnico do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água da USP, é mais otimista sobre a segurança. “O reúso da água é seguro quando planejado e quando coloca o tratamento adequado para assegurar a qualidade da água.” O engenheiro ressalta que o País precisa ainda fazer uma legislação sobre o tema. “Ainda não temos uma legislação de água de reúso no País”, diz.

A seca serviu para abrir novas possibilidades para o consumo de água. Essa é mais uma opção que será discutida por aqui nos próximos anos e não deve ser descartada, apesar de mais cara que o tratamento convencional. Muito mais vantajoso seria evitar a poluição dos rios, lagos e mares, tratando o esgoto antes de ele ser despejado nos mananciais, o que evitaria a perda de água pela contaminação e a poluição das fontes de captação pela água poluída.

 

 

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