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BRASIL INVESTE POUCO EM SANEAMENTO E PAGA UMA CONTA CARA POR ISSO

21/11/2014

Levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o Brasil investiu 0,11% do PIB em Saneamento Básico no ano de 2012 – um total de R$ 29,5 bilhões (ou 11,7 bilhões de dólares). Entre os países em desenvolvimento, é o que mais investiu no serviço. Motivo de orgulho? Muito pelo contrário. Se essas cifras colocam o Brasil em uma posição razoável, é sinal de que as coisas não vão bem pelo mundo todo.

Diariamente, duas mil crianças com menos de cinco anos morrem nos países em desenvolvimento em virtude de doenças provocadas pela falta de saneamento. No mundo todo, 2,5 bilhões de pessoas não tem acesso a um banheiro. Preste atenção, não estamos nem falando de coleta de esgoto, cuja ausência já é grave. Estamos falando da falta de um banheiro, o que obriga as pessoas a fazerem suas necessidades fisiológicas no meio do mato, literalmente.

Estudo do Instituto Trata Brasil aponta que a universalização do saneamento no Brasil custaria R$ 313,2 bilhões – mais de dez vezes menos do que foi investido de acordo com a OMS.  Ou seja, estamos ainda muito longe do valor necessário para que todos os brasileiros, sem exceção, tenham um mínimo de dignidade com acesso a esgoto e água tratada. Enquanto mais da metade das obras do PAC referentes a saneamento estão paradas, os gastos com saúde aumentam com internações por doenças transmitidas por água contaminada – diarréia, dengue, cólera, amebíase, leptospirose, malária etc.

Além das doenças transmitidas a milhares de pessoas sem acesso a esse serviço tão básico, a seca em diversas regiões do país denuncia ainda mais a falta de cuidado com os mananciais de água. Série de reportagens do jornal O GLOBO na semana retrasada denunciou o despejo diário de 600 milhões de litros de esgoto sem tratamento na Bacia do Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de 9,5 milhões de cidadãos fluminenses. Some-se a isso os 48,3% de água captada no Guandu que é desperdiçada no tratamento devido à poluição e você tem aí um bom motivo para todos nos preocuparmos com a queda constante dos reservatórios que abastecem o estado.

Em um país que possui 11% das reservas de água doce do planeta, criou-se facilmente uma cultura do desperdício que permeia governos, indústrias e a população em geral com extrema facilidade. Enquanto isso, a seca maltrata com escassez São Paulo, a cidade mais rica do Brasil, cujo bairro do Morumbi, de classe média alta, despeja esgoto diretamente no Rio Tietê. Se em um bairro de classe alta existe esse tipo de coisa, não é surpreendente a situação em localidades mais afastadas e pobres.

O fato de ser o país em desenvolvimento que mais investe em saneamento não é motivo algum de orgulho para o Brasil, pois investimos dez vezes menos o que deveríamos para universalizar o saneamento. Com um descaso gigante de governos e empresas gestoras dos recursos hídricos, o país gasta mais com saúde e os estados onde a seca se fortalece enfrentam dificuldades para lidar com o problema. Resultado: custos maiores com compra de carros-pipa e obras emergenciais. Poderia ser tudo diferente se houvesse mais responsabilidade e compromisso com a água, o bem mais essencial para qualquer ser vivo.  

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