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NOTA DO STIPDAENIT EM RELAÇÃO À PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA PELA CEDAE

13/01/2020

Os sistemas de produção e distribuição de água potável da CEDAE para população do Estado do Rio de Janeiro, sempre foram dotados ao longo dos anos, independente do governo do momento, de equipe técnica responsável e de competência internacionalmente reconhecida. Nossos profissionais trabalham diuturnamente, 24 horas por dia, para que a população do Estado do Rio de Janeiro, mais de nove milhões de pessoas, recebam água dentro das normas previstas nas legislações pertinentes.

Por outro lado, sabemos que parte deste trabalho é dificultado pelo descaso das prefeituras ao não realizarem os convênios necessários com o Governo Estadual para prestação dos serviços de saneamento básico. O crescimento desordenado, a falta de planejamento, a ausência de obras para drenagem e pavimentação urbanas, também atribuições das prefeituras, acabam sobrecarregando os sistemas de esgotamento existentes. A poluição causada pelo não tratamento de esgotos que chegam às bacias hidrográficas, que abastecem os mananciais integrantes dos sistemas de capitação de água bruta da empresa, também são fatores determinantes de toda problemática ambiental. Isso torna o trabalho realizado muito mais dispendioso, na medida em que são necessários gastos elevadíssimos com produtos químicos usados no tratamento, assim como aumenta a sobrecarga de trabalho das equipes envolvidas nas diversas fases da produção de água potável.

Esse problema não é exclusividade do Rio de Janeiro, há casos emblemáticos Brasil afora. Em São Paulo, o reservatório de Guarapiranga, responsável pelo abastecimento de parte da capital paulista, recebe uma carga de poluentes tão grande, que gasta em média 80 milhões de reais em produtos para tratar seus mais de 170 bilhões de litros de água e abastecer mais de cinco milhões de pessoas.

No Rio de Janeiro a história não é diferente, nossos mananciais nunca tiveram a devida atenção das autoridades, governadores e prefeitos, sempre “empurraram com a barriga” questões ligadas ao saneamento, o cuidado com nossos rios, lagoas e mares, sempre foram relegados a 2° plano, quando não, totalmente negligenciados. Por ser alto investimento e sem retorno aparente, imediato, políticos de plantão preferem se debruçar nas reengenharias burocráticas, na tentativa de privatização para obterem ganhos imediatos, ao invés de fazer com que a empresa pública realize o trabalho para o qual foi criada e atenda a população com excelência. Muitos rios poluídos, quando não já mortos, recebem todo tipo de esgoto industrial e doméstico. Parte de toda essa sujeira chega a nossos sistemas, em particular no Guandú, antes da captação da água para tratamento. Um complexo sistema de acompanhamento e monitoramento pelas equipes técnicas da CEDAE, desde as barragens mais distantes no rio Paraíba do Sul e seus afluentes, até a chegada do rio Guandú, trabalha para entregar uma água de qualidade à população. O tratamento deve ser rigoroso para que a água se tornar potável, e assim é feito.

É preciso ser muito responsável quando se dirigir à população sobre questões de saúde como qualidade da água de abastecimento, principalmente quando o medo é instalado por conta das notícias veiculadas pelas mídias, muitas das vezes sem o necessário cuidado técnico. O monitoramento foi intensificado e os possíveis problemas, são acompanhados caso a caso. A prevenção que já era regra, agora virou um mantra. Todas as toxinas previstas em legislação de controle de qualidade são monitoradas. Todas as que representam risco à saúde da população. Quando eventualmente aparece um evento novo não previsto em legislação, intensifica-se o monitoramento e atua-se mitigando possíveis causas especificamente. Se a substância geosmina, estivesse em concentrações que colocassem em risco a saúde da população o abastecimento teria sido interrompida, essa é a regra.

Agora uma situação precisa ser também esclarecida, os trabalhadores da CEDAE estão sendo submetidos a um regime de trabalho extenuante, uma mudança radical das escalas de trabalho, com a desculpa de melhoria das condições do mesmo, o que não ocorreu. Pelo contrário, isto provocou o adoecimento da força de trabalho, além das demissões de técnicos competentes, com outra desculpa infundada, amparada na questão de cunho salarial. Tudo isso representa uma escolha da atual direção, por uma GESTÃO TEMERÁRIA, o que pode sim, definitivamente, estar colocando em risco os últimos anos de investimentos. Esses investimentos deram como resultado a premiação concedida à CEDAE por dois anos consecutivos (2018 e 2019) como a melhor empresa em Infraestrutura de Saneamento do Brasil, pela Revista EXAME. Ou seja, a administração escolhida pelo atual Governo Estadual pode ser a responsável direta pelo desmonte em pouco menos de um ano, de uma estrutura que levou mais de 10 anos para ser consolidada, levando ao reconhecimento internacional da qualidade de nossa água.

A busca por aperfeiçoamento e melhorias deve ser uma constante, no entanto a ação irresponsável e deliberada com intuito de legitimar a privatização da Água no Rio de Janeiro pode trazer consequências desastrosas para nossa população, lembrando que a negligência privada provocou centenas de mortes em Mariana e Brumadinho. Será que o Governo estadual pretende realmente correr esse risco, privatizando a distribuição das águas do RJ?

Água é VIDA e não mercadoria!

Ary Girota

Presidente do STIPDAENIT

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