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RIO DE JANEIRO PRECISA DE MAIS INVESTIMENTOS EM SANEAMENTO

10/07/2014

Em outubro, vamos às urnas eleger nossos representantes nos poderes executivo e legislativo, nas esferas estadual e federal para os próximos quatro anos. Os candidatos se apresentam para o pleito defendem seus trabalhos desenvolvidos, quando buscam a reeleição, ou se apegam ao que já desenvolveram para a sociedade. É um ano de propaganda política intensa, quando muito se promete a todos os brasileiros.

Sabendo da importância de nosso voto, temos que estabelecer critérios para nossas escolhas. Um deles, sem dúvida alguma, é a qualidade dos serviços públicos: quais seriam os candidatos mais aptos para gerir esses serviços (poder executivo) e fiscalizar essa execução (poder legislativo)? Tendo isso em mente, passamos para a avaliação desses serviços e as melhorias neles necessárias. Já é praxe algumas áreas receberem críticas diárias, como os transportes, a saúde e a educação. No entanto, o setor de saneamento também tem sofrido com o descaso dos governantes a nível municipal, estadual e federal e estudos de universidades e instituições especializadas apontam, ano após ano, a necessidade de investimentos.

O Instituto Trata Brasil, referência no estudo do saneamento básico, divulgou em setembro do ano passado um ranking da evolução do saneamento nas 100 maiores cidades do país. O desempenho do estado do Rio de Janeiro é pífio. Representado por 10 municípios (Niterói, Volta Redonda, Petrópolis, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, Belford Roxo, São Gonçalo, São João de Meriti, Nova Iguaçu e Duque de Caxias), o estado com a segunda maior economia do Brasil não tem qualquer um destes entre os 10 primeiros colocados, sendo Niterói (12º) o mais próximo. Outro destaque negativo é a capital, Rio de Janeiro, na 57ª colocação.

Veja a classificação e os números das cidades do Rio de Janeiro

O tratamento de esgoto e as perdas de água no tratamento desta são outros dois pontos negativos e que merecem destaque. São João de Meriti, por exemplo, sequer tem tratamento de esgoto, enquanto que a capital Rio de Janeiro tem apenas 51,92% de tratamento. Como aponta o ranking, os índices de tratamento no estado são baixos. As perdas de água, por sua vez, também apresentam índices preocupantes. A média dos 10 municípios é de 42,7% de perdas, ou seja, para cada litro de água tratado e destinado para o consumo, são desperdiçados 427 ml. Duque de Caxias apresenta o maior percentual de perdas – 62,53%.  

Por falar em universalização, o estudo levantou a quantidade de ligações de água e esgoto faltantes nessas 10 cidades. Faltavam 753.445 ligações de esgoto para a universalização nessas cidades, enquanto foram realizadas, em um ano, apenas 29.410 novas ligações, pífios 3,9% do total de ligações faltantes. Isso quer dizer que, nesse ritmo, a universalização nessas cidades levaria 25 anos, sem contar o aumento da demanda por novas ligações. O cenário das ligações de água é um pouco melhor, mas ainda assim é preocupante. Enquanto essas cidades necessitavam de novas 263.589 ligações, foram realizadas 37.625, um percentual de 14,47%.

Chama a atenção no estudo o fato de esses municípios terem investido muito pouco na melhora do serviço, como mostram as baixas proporções de investimento/arrecadação. Somadas as arrecadações dos 10 municípios, temos o valor de R$ 3.013,86 milhões (três trilhões, treze milhões e 860 mil reais). O investimento, no entanto, passa muito longe disso: R$ 325,9 milhões (trezentos e vinte e cinco e 900 mil reais), o que totaliza apenas 10,81% do valor arrecadado.

Essa falta de investimentos se reflete na má qualidade do serviço oferecido à população. Segundo dados do Instituto Trata Brasil, são necessários 313 milhões para universalizar a distribuição de água e a coleta de esgoto no estado do Rio de Janeiro. Esse valor representa 7% do PIB estadual, ou seja, é perfeitamente possível realizar esse investimento. Resta, portanto, vontade política para fazê-lo.

 

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